Pergunta: A maioria dos sonhos parece efêmera e sem sentido, e as pessoas raramente se lembram deles. Como podemos extrair informações importantes sobre como viver a partir de fontes tão frágeis?

Marion Woodman: “Um sonho é como um cervo no alto da floresta: se for bem-vindo, ele sairá. Se você o alimentar, ele desenvolverá um relacionamento com você. Mas se você não se importar com ele, ele desaparecerá.

Se você realmente acredita na importância dos sonhos, começará a perceber padrões neles e perceberá que seu inconsciente carrega imagens que são significativas para você. Se o seu inconsciente está em guerra com o seu consciente, a única maneira de acabar com essa luta é examinar seus sonhos. Eles lhe dirão o que você precisa saber. Se você sonha com um sino tocando, ou alguém batendo em uma porta, ou um raio o atingindo enquanto atravessa a rua, precisa prestar atenção. Qualquer pequeno sinal pode indicar um problema real que precisa ser resolvido.”

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Que belíssima metáfora do cervo no alto da floresta: o sonho é algo muito sensível, uma manifestação de um campo sutil, cuja substância é quase irreal e distante, mas que pode se aproximar se o gesto acolhedor for feito, se a paciência estiver ali, se a percepção, se a recepção e se a conexão for estabelecida.

Aquilo que aparece como “efêmero e sem sentido” para a pessoa comum, não acostumada a presentar atenção à sua vida psíquica, é uma espécie de mensagem de ouro para quem se trabalho e busca se aprofundar na sua vida interior. Cada imagem ou movimento dos sonhos, que podem parecer surreais ou insignificantes à primeira vista, contém, cada um, uma função e uma manifestação importante da realidade do sonhador – às vezes essencial e crítica para seu momento. O que é preciso é fazer o trabalho sobre ele, com cuidado, observando o campo subjetivo do sonhador, e então ir tocando a realidade manifestada no sonho. O inconsciente não erra.

Como dizia Freud, “Não conhecemos em sonhos nada que seja indiferente ou sem importância.”
(Sigmund Freud, em A Interpretação dos Sonhos, Cap. VI)