Como é a Terapia

A abordagem Integrativa, as sessões e como começar

Conhecer e cuidar de si mesmo.

O que acontece na minha vida, no jeito que eu experimento a vida, que me causa insatisfação ou outra condição “ruim” ou “negativa” em pensamento, emoções ou no corpo? São as condições em que vivo, as pessoas, o mundo, ou há algo que eu possa fazer em mim para mudar, entender e viver melhor?

O que me impede de viver como eu gostaria, plenamente, aqui neste momento?

O que toma minha energia, minha motivação e minha ação a cada momento? Ao que entrego minha energia de viver a cada instante que segue acontecendo?

Isso é vida? É estratégia? É medo? É sofrimento? É crença? O que é? Há uma solução? Como me (re) encontro nesse processo aparentemente sem sentido, ou com sentido oculto, e superficialmente caótico?

O papel primordial e fundamental da consciência e da mente em nossa experiência de viver no mundo só encontram elucidação suficiente e ampla apenas na abordagem Humanista e Transpessoal da Psicologia Moderna, além das próprias Ciências da Mente orientais onde surgiu primeiramente. Não só elucidação, mas o caminho e as experiências para a realização integral dessa compreensão – o empirismo de si mesmo, a liberdade e a felicidade como experiências reais e não conceitos ou diagnósticos médicos ou psicológicos. “O verdadeiro fundamento das coisas é o superconsciente, não o subconsciente” (upari budhna esham), explica o filósofo yogue Sri Aurobindo (1872-1950).

A partir da abordagem da Terapia Transpessoal, da Psicologia Humanista (Gestalt Terapia) e das Ciências da Mente orientais encontramos essas respostas, as experiências e os caminhos que trazem compreensão, cura e a fundamental consciência de viver. Experimentar a vida de maneira plena requer que nos demos conta de nossos enganos ainda ocultos (ou nem tanto). Perceber o que interrompe e interfere nossa experiência livre e autêntica é entrar no processo de trabalhar si mesmo, vendo os próprios conflitos, angústias e sofrimentos de perto, viajando pela descoberta de de si mesmo e como retomar a paz de ter equilíbrio, sentido e entusiasmo sem afetações — e isso envolve também a educação de nossa mente, que nunca recebeu qualquer atenção nem treinamento desde a infância. O caminho começa pelo empenho em buscar a consciência, a presença e a auto-responsabilidade, encontrando a re-integração que nos liberta dessas condições insatisfatórias, limitadoras e repetitivas. Essa mesma consciência que é a essência do ser humano e que é o caminho e a experiência de todas as grandes portas do desenvolvimento humano superior, inclusive do despertar — a experiência suprema de liberdade, segundo os termos das ciências orientais.

A terapia é ajuda humana nesse caminho de cuidar da própria vida, de si mesmo, do que somos e do que podemos ser.

oṁ asato mā sat gamaya – Conduza-me da ilusão para a Verdade
tamaso mā jyotir gamaya – Da escuridão para a Luz
mṛtyor mā amṛtaṁ gamaya – Da morte para a imortalidade

Este é um conhecido mantra da pioneira tradição espiritual indiana, parte do Bṛhadāraṇyaka Upanishad (1.3.28), datado de aproximadamente 2.600 anos e considerado um aspiração eterna da humanidade, talvez ainda mais em nossa época, depois de entendermos à nossa maneira ocidental – por Freud, Jung, Perls, Maslow – o que significa caminhar do irreal para o real, da confusão para a claridade, da decadência para a vida. O mantra termina com “oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ” (que haja paz, paz, paz).

Da escuridão da inconsciência para a luz da consciência. Abandonando nosso viver limitado e armado pelo ego – através de julgamentos, acusações, agendas pessoais, opiniões e identificações – podemos deixar a consciência de quem realmente somos viver – e vermos que somos intrinsecamente interconectados, essencialmente livres e naturalmente inteligentes.

Presença e Consciência.

Viver com a potencialidade humana que nos é inerente significa viver o momento presente com tudo o que ele tem. E enquanto não estamos nesse fluir, temos que nos aprofundar e descobrir como vivemos e como isso na verdade nos impede de viver — sejam pensamentos, crenças, hábitos, sentimentos ou atitudes. Temos que fazer contato com o que sentimos, com o que fazemos e com o que pensamos, abrindo os campos, ampliando a consciência e limpando a mente para que a vida se revele. Este é o foco do trabalho terapêutico que realizamos. É terapêutico, é contemplativo e também auto-educador. O auto-conhecimento é por si mesmo libertador e capacitador.

Em nosso momento atual, de intenso estresse de tempo, super-uso de tecnologia e individualismo acentuado, é cada vez mais imprescindível que desenvolvamos essas potencialidades há muito tempo atrofiadas. A calma profunda, o domínio sobre a própria mente e o contato íntimo com as próprias emoções e impulsos são necessidades do ser humano que precisam ser redescobertas, desenvolvidas e reintegradas. Ao invés de perseguimos inconscientemente metas meramente “externas”, materiais, ou objetivos apenas socialmente reconhecidos, é necessário substituir o frenesi do que acontece fora de nós e penetrar em nossa riquíssima vida interior, onde estão as respostas para nossa felicidade, nossa realização pessoal, nossa saúde e nossa capacidade de realmente viver.

❝Não procures fora❞.
— Ralph Waldo Emerson, filósofo transcendentalista e poeta americano (1803-1882)

Sobre as sessões.

→  Os atendimentos são individuais em sessões semanais de aproximadamente 1h (uma hora).

É um trabalho semelhante a uma psicoterapia, com diálogos psicodinâmicos e uso de técnicas terapêuticas das várias fontes mencionadas, principalmente Gestalt Terapia, a Psicologia Transpessoal, a Psicologia dos Eneatipos e as Meditações, sempre de acordo com cada caso.

A abordagem.

A abordagem Integrativa é, como o próprio nome diz, integrativa e integradora. É integrativa pois busca a integração do ser humano no todo que é, e que precisa ser, para funcionar saudavelmente e viver com sentido. As abordagens mais específicas variam, de Jung à Naranjo, sobre o que se integra, o que se recupera, como sombras, centros de energia, gestalts abertas, entre outras, mas essencialmente se busca a consciência de si mesmo, e a inteireza desse ser no momento presente. É Integrativa também por ser integradora de diferentes correntes, de abordagens complementares, não se limitando a uma visão ou técnica. A característica dessa abordagem Integrativa aqui é o pressuposto da consciência como fundamento de si mesmo e da realidade, algo empírico na dimensão íntima e pessoal. As três principais abordagens integradas aqui são a Gestalt (Humanista), a Transpessoal e as ciências contemplativas orientais, principalmente a meditação “mindfulness” e a em silêncio.

A Terapia Transpessoal é considerada a “Quarta Força da Psicologia”, uma das mais recentes e mais inclusivas, aquela que parte da consciência como fundamento da vida humana e da existência, ampliando e possibilitando a compreensão mais profunda da complexidade do ser e das inúmeras redes em que está imerso. É um entendimento do ser humano que inclui mas vai além do ego, e que recentemente vem sendo mais estudado e compreendido por estudos científicos, pela neurociência e por filósofos como Fritjof Capra e Ken Wilber. Embora seja uma abordagem ocidental, criada inicialmente por Abraham Maslow e mencionada antes mesmo por Carl G. Jung, é consonante com visões de sábios orientais, como do filosofo indiano do super-consciente Sri Aurobindo.

Terapia Holística é baseada no Holismo, o entendimento do ser humano como um organismo vivo, sistêmico e interdependente, que é um “todo maior que a soma de suas partes” (“holos”, do grego: todo, inteiro, total), como foi proposto inicialmente por Jan Smuts (1924). É relacionada diretamente com o Pensamento Sistêmico, a Teoria do Campo e coerente com visões da consciência universal como da ciência védica (origem do Ioga). Alternativamente à outras abordagens e à visão reducionista que ainda predomina em parte da nossa ciência ocidental, não entende nem trata partes isoladas do todo. A especificidade da Terapia Holística que praticamos é ter a base na visão da consciência como fundamento da existência e propulsora do despertar, e no papel do desenvolvimento da mente para esse despertar — visão que está em boa parte das ciências orientais de auto-conhecimento como o Budismo e o próprio Ioga. Entre as abordagens ocidentais, alinha-se mais com a Psicologia Transpessoal e a Gestalt Terapia, centrada no estar presente, na confiança da auto-regulação organísmica e na auto-responsabilização. Há também a inserção de técnicas como meditações guiadas, meditação individual, Mindfulness e práticas preventivas e equilibradoras naturais de saúde do Ayurveda.

As abordagens Transpessoal e Holística são irmãs, por suas tangências na compreensão da vida e do homem como um organismo inteiro e maior que suas partes isoladas, e também maior que si mesmo, contendo em si a inteligência e a conexão com os todos maiores. São, possivelmente, as duas mais próximas das sabedorias espirituais e ciências do Oriente. O Holismo é, na verdade, uma visão integral, científica e filosófica, para além de ser “apenas” uma abordagem psicológica ou terapêutica, e neste ponto ambas se contribuem mutuamente.

Gestalt Terapia também é uma abordagem psicoterapêutica e ao mesmo tempo mais que isso, é uma maneira de entender e estar no mundo (também fortemente baseada no Holismo). É centrada no “dar-se conta” (tradução particular do conceito de “awareness”), ou seja, na ampliação da consciência e da atenção de uma pessoa sobre si mesma no momento presente, aqui-e-agora, com o objetivo essencial de percebê-lo e aceitá-lo inteiramente, reconhecendo limitações, desequilíbrios, pendências e insatisfações. Como intenção subjacente, a Gestalt visa a mudança do apoio ambiental (externo) para o auto-apoio, pela tomada de responsabilidade, princípio fundamental para a erradicação dos enganos mais profundos do viver. A Gestalt se baseia no conceito holístico do ser humano como um todo auto-inteligente e na capacidade desse organismo se auto-gerir e auto-regular. Entre as influências mais decisivas estão a Fenomenologia, a análise do caráter de Reich, a teoria organísmica de Kurt Goldstein, o Zen Budismo, a teoria do campo de Kurt Lewin e a própria Psicanálise.

Paralelamente à Gestalt-Terapia, também usamos como instrumento de auto-conhecimento a Psicologia dos Eneatipos, considerada uma abordagem profunda de análise de personalidade como concebida por Oscar Ichazo e Claudio Naranjo. Através dela, descobrimos nossas motivações íntimas, nossos comportamentos viciados e construímos um caminho a partir dessa consciência e integração.

A quem é indicada.

A Terapia Integrativa, assim como as abordagens Transpessoal, Holística e a Gestalt Terapia (Humanista), além da própria meditação, são indicadas para todas as pessoas, já que são trabalhos de auto-conhecimento, cura e desenvolvimento de si mesmo.

Não é necessário ter nenhum distúrbio nem desequilíbrio visível para fazer e se beneficiar imensamente desta abordagem, que é voltada essencialmente ao auto-conhecimento e ao desenvolvimento humano e espiritual independente da situação.

Entre os principais casos que motivam as pessoas a nos procurarem estão a vontade de se conhecerem mais profundamente, vontade de desenvolver mais equilíbrio e sentido interior, as que atravessam crises de angústia, solidão ou conflitos de relacionamento, e também as que estão experimentando ansiedade, baixa auto-estima, insatisfação permanente, desmotivação, indefinições profissionais, iminência de mudança ou crise, problemas de relacionamentos, frustração com a repetição de padrões pessoais (ex: submissão aos outros, super-exigência de si ou dos outros, necessidade de controle constante, instabilidade emocional, auto-vitimização, etc), entre outros.

OBS: Esta terapia não é recomendada apenas a pessoas com quadros psicóticos críticos, como Esquizofrenia, Paranóia, etc. Temos profissionais de Psiquiatria e Psicologia para recomendar nestes casos específicos, que depois trabalham comigo unindo medicação ao trabalho terapêutico que se desenvolve aqui.