<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Gestalt Terapia | Terapia Individual &amp; Meditação com Luiz Fernando Pereira (Hridaya Terapia)</title>
	<atom:link href="https://hridayaterapia.com/notas/gestalt-terapia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://hridayaterapia.com</link>
	<description>ONLINE &#38; Presencial, em SP.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 26 Jun 2026 02:58:06 +0000</lastBuildDate>
	<language>en-US</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">74015851</site>	<item>
		<title>Em 1968, Fritz Perls já avisava sobre a cura rápida e terapias &#8220;instantâneas&#8221;</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/fritz-perls-e-o-desenvolvimento-da-psicologia-humanista-ante-as-terapias-estimulantes-de-1968-para-hoje/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 02:52:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Referências]]></category>
		<category><![CDATA[autenticidade]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Fritz Perls]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia Explicada]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[psiquiatria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://hridayaterapia.com/?p=4603</guid>

					<description><![CDATA[O que Fritz Perls diz abaixo é supreendentemente válido e atual, escrito a partir de palestras em 1968, há mais de meio século, em Esalen (EUA), endereçando o surgimento da Gestalt Terapia num ambiente pós-guerra e bomba atômica da revolução livre dos psicodélicos e da liberdade sexual dos Anos 70. Surgia, ali, uma busca hedonista [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O que Fritz Perls diz abaixo é <strong>supreendentemente válido e atual</strong>, escrito a partir de palestras em <strong>1968</strong>, há mais de meio século, em Esalen (EUA), endereçando o surgimento da Gestalt Terapia num ambiente pós-guerra e bomba atômica da revolução livre dos psicodélicos e da liberdade sexual dos Anos 70. Surgia, ali, uma <strong>busca hedonista</strong> que até hoje não parou, e pior, se agravou a níveis que Perls jamais teria imaginado. Tornou-se, na verdade, um padrão cultural que se alastrou pelo mundo.</p>
<p>A Psiquiatria e o Behaviorismo ganharam mais espaço na sede &#8211; irrefletida e desesperada &#8211; por <strong>alegria imediata</strong> e pelo <strong>medo dos sintomas, do crescimento e da realidade</strong>. Em nenhum momento isso foi superado, deixou de ser importante ou foi reduzido, pelo contrário: &#8220;<strong>tornar-se real</strong>&#8220;, como Perls define nessa introdução, &#8220;<strong>crescer</strong>&#8220;, &#8220;<strong>desenvolver seu centro</strong>&#8220;, <strong>aceitar-se</strong> e <strong>viver</strong>, continua sendo a ´única solução verdadeira. Mas &#8220;leva tempo&#8221;.</p>
<p>Alguns dos entendimentos e proposições de Perls são questionáveis, mas não esta aqui. Esta aqui foi uma preocupação legítima que continua viva e agravada. E a Gestalt continua viva, vivíssima, como um caminho real, profundo e não mercantilizado de terapia nos tempos modernos.</p>
<p>Não é fácil resistir à tentação dos paliativos, estimulantes e mascaradores de sintomas da cultura imediatista atual, mas uma vez que você tenha experimentado uma gota de crescimento real, de maturidade psicológica e de vida verdadeiramente vivida, aceitando-se mais e tornando-se livre das ansiedades pessoais e sociais, você nunca mais retornará ao circo de felicidade artificial que vige neste século.</p>
<p>Eis o trecho, da introdução do importante livro &#8220;<strong>Gestalt Terapia Explicada</strong>&#8220;:</p>
<p>&#8220;Desejo falar sobre o desenvolvimento atual da psicologia humanista. Levamos bastante tempo para desmascarar todo o logro freudiano, e agora estamos entrando numa fase nova e perigosa. Estamos entrando na fase das terapias &#8220;estimulantes&#8221;*: &#8220;ligando-nos&#8221; em cura instantânea, em consciência sensorial instantânea.<br />
Estamos entrando na fase dos homens charlatães e de pouca confiança, que pensam que se vocês obtiverem alguma quebra de resistência, estarão curados, sem considerar qualquer necessidade de crescimento, sem considerar o potencial real, sem considerar o gênio inato em todos vocês. Se isto estiver se tornando moda, será tão perigoso para a psicologia quanto deitar num divā durante um ano, uma década, um século. Pelo menos, os danos que sofremos com a psicanálise têm pouca influência sobre o paciente, a não ser por deixarem-no cada vez mais morto. Isto não é tão prejudicial quanto a coisa super-super-rápida. Os psicanalistas pelo menos tinham boa vontade.</p>
<p>Devo dizer que estou muito preocupado com o que está acontecendo atualmente. Uma das objeções que tenho contra qualquer pessoa que se diga um gestalt-terapeuta é quanto ao uso da técnica. Uma técnica é um truque. Um truque deve ser usado apenas em casos extremos. Existem muitas pessoas colecionando truques e mais truques, abusando deles. Estas técnicas, estes instrumentos são bastante úteis em seminários de consciência sensorial ou alegria, para dar a idéia de que ainda se está vivo, e que o mito de que o americano é um cadáver não é verdade, que ele pode estar vivo. Mas, o triste fato é que esta energetização freqüentemente se torna uma perigosa atividade substitutiva, uma outra falsa terapia que impede o crescimento.</p>
<p>Agora, o problema não é tanto em relação às &#8220;terapias estimulantes&#8221;, mas em relação a toda cultura americana. Nós demos um giro de cento e oitenta graus, do puritanismo e moralismo até o hedonismo.* De repente, tudo tem que ser diversão e prazer, e qualquer envolvimento sincero, qualquer estar aqui real, é desencorajado.</p>
<blockquote><p>Mil flores de plástico<br />
Não fazem um deserto florescer<br />
Mil rostos vazios<br />
Não podem uma sala vazia preencher</p></blockquote>
<p>Na Gestalt-terapia trabalhamos por algo mais. Estamos aqui para promover o processo de crescimento<br />
e desenvolver o potencial humano. Nós não falamos de alegria instantânea, de consciência sensorial instantânea, de cura instantânea. O processo de crescimento é um processo demorado. Não podemos apenas estalar os dedos e dizer: &#8220;Venha, vamos ser felizes! Vamos lá!&#8221;. Se você quiser, pode conseguir isso com LSD, acelerando tudo, mas isso não tem nada a ver com o trabalho sincero da abordagem psiquiátrica que eu chamo<br />
Gestalt-terapia. Na terapia, não temos apenas que superar o desempenho de papéis. Temos também que preencher os buracos da personalidade, para torná-la novamente inteira e completa. E outra vez, da mesma forma que antes, isto não pode ser feito por meio de &#8220;terapias estimulantes&#8221;. Na Gestalt-terapia temos uma forma melhor, mas que não é nenhum atalho mágico. Você não precisa se deitar num diva ou ficar &#8220;zendo&#8221; durante vinte ou trinta anos, mas tem que se empenhar na terapia; e crescer leva tempo.</p>
<p>(&#8230;) Como vocês sabem, existe uma rebelião nos Estados Unidos. Nós descobrimos que produzir coisas, viver para coisas, e trocar coisas não é o sentido fundamental da vida. Descobrimos que o sentido da vida é que ela deve ser vivida e não comercializada, conceituada e restrita a um modelo de sistemas. Achamos que a manipulação e o controle não constituem a alegria fundamental de viver.</p>
<p>Mas devemos também compreender que até agora temos apenas uma rebelião. Ainda não temos uma revolução. Ainda falta muita coisa. Existe uma disputa entre o fascismo e o humanismo. Neste momento, parece-me que a disputa está quase perdida para os fascistas. E que os selvagens hedonistas, os estimulantes não-realistas e apressados nada têm a ver com o humanismo. É um protesto, uma rebeldia que é boa como tal, mas que não representa um objetivo. Eu tenho tido muito contato com jovens da nova geração que estão desesperados. Eles vêem o militarismo e a bomba atômica por trás de tudo. Eles querem obter alguma coisa da vida. Querem tornar-se reais e existir. Se existe alguma chance de interromper a ascensão e queda dos Estados Unidos, cabe à nossa juventude aproveitá-la, e cabe a você apoiar essa juventude. Para conseguir isto existe apenas um caminho: tornar-se real, aprender a assumir uma posição, desenvolver seu centro, compreender a base do existencialismo: uma rosa é uma rosa é uma rosa. Eu sou o que sou, e neste momento não<br />
posso ser diferente do que sou.&#8221;</p>
<p>&#8211; <strong>FREDERICK &#8220;FRITZ&#8221; SALOMON PERLS</strong> (1893-1970), em &#8220;Gestalt Terapia Explicada&#8221; (1977)</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">4603</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Psicologia Budista e Gestalt Terapia: o que as meditações de Fritz Perls num mosteiro zen trouxeram pra terapia</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/psicologia-budista-e-gestalt-terapia-o-que-as-meditacoes-de-fritz-perls-num-mosteiro-zen-trouxeram-pra-terapia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 21:24:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Budismo]]></category>
		<category><![CDATA[Consultório]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Meditação]]></category>
		<category><![CDATA[experiência]]></category>
		<category><![CDATA[Fritz Perls]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[mosteiro]]></category>
		<category><![CDATA[prática espiritual]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Budista]]></category>
		<category><![CDATA[Zen Budismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://hridayaterapia.com/?p=4482</guid>

					<description><![CDATA[Em meados dos anos sessenta, Fritz Perls, criador da Gestalt Terapia, já instalado em Esalen (EUA) e então um dos nomes mais influentes da psicoterapia americana, viajou ao Japão e permaneceu por algum tempo num mosteiro Zen. Não era um gesto dissociado de sua trajetória: Perls havia lido Shunryu Suzuki, convivido em Esalen com Alan [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">Em meados dos anos sessenta, <strong>Fritz Perls</strong>, criador da Gestalt Terapia, já instalado em Esalen (EUA) e então um dos nomes mais influentes da psicoterapia americana, viajou ao Japão e permaneceu por algum tempo num <strong>mosteiro Zen</strong>. Não era um gesto dissociado de sua trajetória: Perls havia lido <strong>Shunryu Suzuki</strong>, convivido em Esalen com <strong>Alan Watts</strong>, e vinha há anos tentando formular clinicamente algo que percebia faltar tanto na psicanálise quanto nas psicologias comportamentais de sua época.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">No mosteiro, ele sentou em meditação. Um ato tão simples mas poderoso, realizado no berço do Zen, transformou a experiência e a visão de Perls sobre a terapia.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">Persl sentou em zazen e, ao retornar, passou a incorporar em sua obra dois termos tomados diretamente do vocabulário zen: <strong><em>satori</em></strong> — o despertar súbito — e <strong><em>mini-satori</em></strong>, sua formulação para esses clareamentos pontuais da consciência que podem ocorrer no curso de uma sessão de terapia, quando o paciente, atravessando um impasse, subitamente <em>vê</em>. A noção de <em>awareness</em>, hoje pedra angular da Gestalt e termo corrente em todo o vocabulário terapêutico contemporâneo, não pode ser compreendida fora dessa filiação. Ela chega à clínica ocidental pela porta do zendô.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O destino posterior da palavra é outra história. <em>Awareness</em> tornou-se moeda comum — em manuais clínicos, em literatura de divulgação, em aplicativos de mindfulness de oito semanas, em formações rápidas de coaching. Em larga medida, foi traduzida como uma operação mental discreta: notar o que se sente, reconhecer o que se pensa, nomear o que se passa. Uma versão funcional e administrável, compatível com o tempo curto do consultório e com a cultura da performance. O que se perde nessa tradução é precisamente o que Perls havia ido buscar em Kyoto. <em>Awareness</em>, na raiz da Psicologia Budista da qual foi extraída, não é uma operação mental nem um ato de atenção deliberada. É um modo de presença no qual o observador e o observado deixam de figurar como instâncias separadas — um estado, e não uma técnica.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">Essa ordem de fenômeno psíquico, com todas as suas gradações e consequências clínicas, encontra descrição sistemática, método e linhagem apenas na psicologia oriental: no Abhidharma budista, nos tratados do Yoga, nos mapas contemplativos do Vedanta e do Vajrayana. A psicologia ocidental, quando a toca, o faz de fora — com o vocabulário emprestado e, frequentemente, sem a experiência imersiva longa e sistemática que sustenta a realização e o vocabulário.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">Convém ser um pouco mais preciso sobre o que Perls efetivamente importou. Dois conceitos centrais de sua obra tardia — o <em>impasse</em> e o <em>vazio fértil</em> — são impensáveis fora da referência Zen.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O impasse, em sua definição, é aquele ponto em que o suporte ambiental já não chega e o suporte interno ainda não se constituiu; a pessoa se vê desamparada, confusa, à beira de uma dissolução que ela teme como morte. O que Perls propõe, e que é absolutamente contraintuitivo para a psicologia que lhe era contemporânea, é que não se saia do impasse — <strong>atravessa-se</strong>. E atravessá-lo exige que o terapeuta saiba, <strong>por experiência própria</strong>, o que é permanecer em um estado de confusão sem buscar resolução prematura.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O <em>vazio fértil</em> é o nome que ele dá ao território que se abre quando esse atravessamento ocorre. É um correlato clínico quase literal do que as tradições contemplativas chamam, com vocabulários distintos, de <em>śūnyatā</em>, de vazio luminoso, de fundo vazio da consciência. Dentro de um contexto mais limitado do tratamento terapêutico, mas com a mesma natureza. Perls não tinha formação em filosofia budista suficiente para desenvolver essas correspondências, mas reconhecia a proximidade e a nomeava. O que estava em jogo, para ele, era um tipo de cura que passa por uma dissolução controlada de uma identidade funcional neurótica — algo que a prática zen também busca liberar há séculos, usando seus próprios termos.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">A dificuldade, do ponto de vista da clínica contemporânea, não está no que Perls formulou, mas no que foi feito com sua formulação. A Gestalt, como ocorreu com a Psicanálise antes dela e com o Mindfulness depois, foi gradualmente decantada em protocolos e técnicas transmissíveis em cursos de formação. O terapeuta que conclui essa formação sai com um vocabulário e com um repertório de intervenções. Pode conduzir uma sessão com competência formal. O que ele quase nunca tem, no entanto, é a base experiencial da qual o vocabulário foi extraído — a familiaridade prolongada com os estados internos que <em>awareness</em>, impasse e vazio fértil nomeiam. Sem essa base, a intervenção torna-se procedimento: pede-se ao paciente que &#8220;esteja presente&#8221;, que &#8220;sinta no corpo&#8221;, que &#8220;permaneça com o que emerge&#8221;, mas o próprio terapeuta, nos bastidores de sua prática interior, nunca habitou esses territórios por tempo suficiente para reconhecê-los quando aparecem. É isso que <strong>Perls</strong> sublinhava, é isso que <strong>Claudio Naranjo</strong> treinava nos seus terapeutas, antes e mais fortemente do que qualquer outra coisa. Há uma diferença tangível entre ser conduzido por alguém que decorou o mapa e ser acompanhado por alguém que caminhou o terreno.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">Isso não é uma objeção moralista à formação clínica ocidental, que é séria, valiosa e indispensável. É apenas o reconhecimento de que certos fenômenos da mente não se transmitem por descrição. A tradição budista, que desenvolveu ao longo de dois milênios os mapas mais refinados dos estados meditativos, é também a tradição que afirma, sem rodeios, que nada disso se conhece pela leitura. Conhece-se ao sentar, por tempo suficiente, com instrução e profundidade. Uma clínica que incorpore de fato a dimensão contemplativa, e não apenas seu vocabulário, precisa ser conduzida por alguém que tenha sentado.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">É dessa experiência e travessia que nasce a Hridaya Terapia. Meu trabalho clínico aqui se faz dentro da tradição da Gestalt Viva de Claudio Naranjo, da psicologia analítica de Jung, das contribuições da neuropsicologia contemporânea — e, como espinha dorsal silenciosa, da prática meditativa continuada nas tradições do Budismo Zen, do Yoga, do Ayurveda e do Budismo Vajrayana que fazem parte da minha história, prática e caminho pessoal. Não há separação entre o método e a sua origem, nem entre a formação acadêmica e a prática interior que a sustenta. Para quem busca uma psicoterapia que reconheça a dimensão contemplativa como parte legítima e estrutural do trabalho, este é o espaço oferecido.</p>
<p>/////</p>
<p>Por Nando Pereira.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">4482</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O prático e o presente: o que a meditação traz para a terapia</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/o-pratico-e-o-presente-o-que-a-meditacao-traz-para-a-terapia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 16:19:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Budismo]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Ioga]]></category>
		<category><![CDATA[Meditação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[presença]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://hridayaterapia.com/?p=4471</guid>

					<description><![CDATA[As expressões que estão no título, e também abaixo, são um ensaio livre para compreendermos melhor o processo terapêutico quando ele contém a meditação dentro dele. Não qualquer presença, mas uma presença genuína, incorporada por um profissional que vivencie a prática em sua própria vida e que tenha experiência real com o caminho de autoconhecimento, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As expressões que estão no título, e também abaixo, são um ensaio livre para compreendermos melhor o processo terapêutico quando ele contém a <a href="https://paraabracarapratica.com"><strong>meditação</strong></a> dentro dele. Não qualquer presença, mas uma presença genuína, incorporada por um profissional que vivencie a prática em sua própria vida e que tenha experiência real com o caminho de autoconhecimento, não apenas como &#8220;recurso adotado&#8221;. O nível e a veracidade da presença, do espaço, da profundidade de cura e do insight que a meditação traz é incomparável a sistemas ou métodos psicológicos convencionais. E, como veremos, quando uma terapia tem em sua coração a meditação, está mais perto do que <strong>Freud, Jung, Perls</strong> e outros grandes da Psicologia buscaram durante todo o seu trabalho do que a maioria imagina.</p>
<p>A meditação não é apenas uma &#8220;técnica&#8221; de autoconhecimento de origem oriental, é um fenômeno íntimo revolucionário e um veículo restaurador e orientador de um ser humano em sua <strong>máxima saúde</strong> e <strong>capacidade de viver</strong>. Quando integrado com consciência e habilidade no ambiente terapêutico, pode se tornar a chave que abre as portas para o que o paciente busca.</p>
<p>Vejamos esses termos:</p>
<p>&#8220;<strong>O prático</strong>&#8220;: aquilo que um paciente quer resolver e imagina que precisa de solução, aquilo que o paciente traz para transformar e encerrar. O mais imediato e &#8220;prático&#8221;, associado ao que preciso ser resolvido &#8220;logo&#8221; para o bom funcionamento do indivíduo. Pode ser um sintoma ou um conjunto de sintomas (angústia, tristeza, procrastinação, ansiedade, depressão, desânimo, medo, pânico, raiva, paralisia, desespero, falta de sentido, etc), uma crise, uma perda, uma impressão, uma percepção, uma meta.</p>
<p>&#8220;<strong>O presente</strong>&#8220;: aquilo que é e que está na realidade, mas que o paciente não vê, não percebe e não sente, em significativa parte, e assim cria sintomas e não consegue encontrar recursos para lidar. Daí surgem as neuroses, confusões, angústias e outros sintomas.</p>
<p>&#8220;<strong>O condicionado útil</strong>&#8220;: é o pano de fundo que cria o objetivo &#8220;prático&#8221; do paciente. Muito do que inicia uma busca por terapia nasce de inconsciência individual, de &#8220;pontos cegos&#8221;, do que não está sendo percebido ou considerado suficientemente pelo indivíduo &#8211; dêaí o objetivo terapêutico mais geral de &#8220;trazer da inconsciência para a consciência&#8221;. Dentro de um paradigma com visão perturbada ou reduzida, o paciente minimamente saudável tenta soluções e saídas antes de chegar à terapia, mas elas ficam &#8220;presas&#8221; circularmente a esses problemas de visão e inconsciencia. Portanto, o que o paciente geralmente traz ao início do seu processo de cura é um pedido &#8220;condicionado útil&#8221; (= &#8220;prático&#8221;) &#8211; ou seja, a resolução daquilo que está pendente para que ele prossiga sendo &#8220;útil&#8221; dentro de uma realidade condicionada. Um exemplo clássico: o esgotamente mental ou o <em>burnout</em> é a condição que sofre de inconsciência, visão reduzida, psicossomatização crescente e que &#8220;prejudica&#8221; o viver dentro de um paradigma condicionado útil. O paciente sofre nele mas, por estar condicionado nele, considera que precisa continuar vivendo nele. Se o processo terapêutico lhe dá essa solução, está apenas servindo como analgésico comum. Assim, o &#8220;condicionado útil&#8221; é apenas uma parte do processo, e que gera o objetivo &#8220;prático&#8221; do paciente.</p>
<p>&#8220;<strong>O real vivo e orientativo</strong>&#8220;: O que não é condicionado é vivo, real. É o que não está preso às histórias, narrativas, conceitos e, em último grau, aos scripts sociais e culturais. Está vivo, presente e livre. Todo o Ser contém isso mais do que qualquer outra coisa, e é a isso que se refere Carl Jung quando diz &#8220;Só o que somos tem o poder de nos curar&#8221;. É de fundamental importância que toda pessoa, em vida, consiga tocar essa dimensão. Pois é ela que cura, que equilibra, que vive e que orienta. A <em>(auto) orientação</em> é o que o paciente realmente busca em terapia, e não a reles cura externa do sintoma pela &#8220;autoridade&#8221; do terapeuta. O paciente pensa que quer apenas retornar a um condicionado útil (de preferência aprimorado, já que está em terapia), mas ele quer sua vida, sua capacidade de decidir, de realizar e de viver para além das prisões neuróticas e condicionamentos sofríveis. Essa capacidade auto-orientativa está no fundo do seu Ser, inacessível quando tudo que experimenta é sua rotina condicionada.</p>
<p>Essa é uma das dimensões importantes que a meditação traz para o processo de cura. Ela está contida, de certa forma, nos objetivos de &#8220;awareness&#8221; como Fritz Perls trouxe à Gestalt Terapia, e na liberdade terapêutica dos conceitos e diagnósticos que Carl Jung propunha para psicoterapeutas &#8211; mas é muito mais ampla e profunda que isso, e de certa forma potencializa esses mesmos objetivos.</p>
<p>///</p>
<p>A meditação não é uma moda ou um &#8220;recurso&#8221; terapêutico para iniciantes ou influencers faladores nessa época de degeneração moral e de profissionais sem vivência e experiência pessoal. Certifique-se que o terapeuta com quem você vai trabalhar seja alguém preparado para tal e que vivencie a prática meditativa em sua própria vida.</p>
<p>///</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://hridayaterapia.com/terapia-holistica-transpessoal-gestalt-meditacao/"><strong>Como é a terapia</strong></a></span><strong> aqui</strong>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">4471</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A importância dos sonhos na terapia (3): Fritz Perls</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/a-importancia-dos-sonhos-na-terapia-3-fritz-perls/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Jan 2026 16:30:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Referências]]></category>
		<category><![CDATA[Fritz Perls]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt]]></category>
		<category><![CDATA[psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[sonhos]]></category>
		<category><![CDATA[terapia online]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://hridayaterapia.com/?p=3826</guid>

					<description><![CDATA[Seguindo nossa conversa sobre a importancia dos sonhos em psicoterapia, vamos até Fritz Perls, fundador da Gestalt Terapia, uma das abordagens clínica principais que usamos aqui. Para Perls, os sonhos ocupam um lugar absolutamente central no trabalho psicoterapêutico. Ele chegou a afirmar que o sonho é a via real para a integração da personalidade — [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Seguindo nossa conversa sobre a importancia dos sonhos em psicoterapia, vamos até <strong>Fritz Perls</strong>, fundador da Gestalt Terapia, uma das abordagens clínica principais que usamos aqui. Para Perls, os sonhos ocupam um lugar absolutamente central no trabalho psicoterapêutico. Ele chegou a afirmar que <strong>o sonho é a via real para a integração da personalidade</strong> — não como metáfora, mas como experiência viva. Diferente de abordagens que tratam o sonho como algo a ser decifrado intelectualmente, Perls propôs algo radical: <strong>o sonho deve ser vivido</strong>.</p>
<p>Na Gestalt-terapia, o sonho não é visto como uma mensagem cifrada enviada por uma instância distante chamada “inconsciente”, mas como uma <strong>expressão direta do próprio organismo</strong>. Tudo o que aparece no sonho — pessoas, objetos, animais, cenários, sensações, cores, climas — é o próprio sonhador em ação. Não há símbolos a serem traduzidos; há partes da pessoa pedindo reconhecimento.</p>
<p>Perls dizia que <strong>cada elemento do sonho é uma parte alienada do self</strong>. Ou seja, aspectos da personalidade que, por algum motivo, foram rejeitados, ignorados ou não integrados pela consciência. O sonho surge, então, como uma tentativa criativa do organismo de restaurar sua totalidade. Sonhar é um ato de autorregulação (note aqui certa semelhança com a função principal atribuída por Jung, a do equilíbrio).</p>
<p>Por isso, na visão gestáltica, o trabalho com sonhos é profundamente experiencial. Em vez de perguntar “o que isso significa?”, Perls convidava o paciente a perguntar: <strong>“como isso é?”</strong> e <strong>“o que isso faz?”</strong>. Ao dramatizar o sonho, falar como os personagens, tornar-se os objetos, dar voz ao clima e às emoções, o paciente reintegra partes de si que estavam fragmentadas. O sonho deixa de ser um relato distante e se torna um encontro. Uma experiência, como de fato foi, ao sonhador, enquanto estava sonhando.</p>
<p>Outro ponto fundamental é que, para Perls, assim como para todos os grandes psicólogos da nossa época, <strong>nada no sonho é supérfluo</strong>. Não existe detalhe irrelevante. Se algo aparece de forma estranha, exagerada, incompleta ou absurda, isso não é um erro — é exatamente a forma que aquela parte do self encontrou para se manifestar. A ausência também fala. O silêncio também é figura. O sonho é preciso porque é orgânico.</p>
<p>E o que acontece quando os sonhos são ignorados na psicoterapia? Na perspectiva de Perls, perde-se uma das <strong>formas mais diretas de contato com conflitos não resolvidos</strong>. O indivíduo pode até compreender racionalmente sua história, mas continuará repetindo padrões, porque partes importantes de si permanecem desintegradas.</p>
<p>Perls via os sonhos como <strong>existências inacabadas</strong>, <em>gestalts abertas</em> que buscam fechamento. Trabalhar com sonhos é permitir que essas gestalts se completem. Quando isso acontece, há aumento de vitalidade, presença e responsabilidade pessoal.</p>
<p>Na Gestalt-terapia, portanto, o sonho não é algo a ser interpretado pelo terapeuta, mas <strong>experimentado pelo paciente</strong>, que se aproxima de suas partes, e, assim, de si mesmo. É um trabalho que devolve autoria, potência e integração.</p>
<p>//</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3826</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A mente meditante na clínica: presença e campo fenomenológico</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/a-mente-meditante-na-clinica-presenca-e-campo-fenomenologico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 01:12:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Budismo]]></category>
		<category><![CDATA[Consultório]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Ioga]]></category>
		<category><![CDATA[Meditação]]></category>
		<category><![CDATA[awareness]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[presença]]></category>
		<category><![CDATA[psicoterapia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://hridayaterapia.com/?p=4339</guid>

					<description><![CDATA[O estado meditativo não é uma técnica adicional ao trabalho clínico — é uma qualidade de mente que transforma a própria natureza da escuta terapêutica. Na prática gestáltica, a atenção plena é análoga ao que Perls chamava de awareness desobstruída: a capacidade de estar consciente do que se apresenta, momento a momento, sem manipular o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="287" data-end="775">O estado meditativo não é uma técnica adicional ao trabalho clínico — é uma qualidade de mente que transforma a própria natureza da escuta terapêutica.</p>
<p data-start="287" data-end="775">Na prática gestáltica, a atenção plena é análoga ao que Perls chamava de <em data-start="514" data-end="538">awareness desobstruída</em>: a capacidade de estar consciente do que se apresenta, momento a momento, sem manipular o fluxo da experiência. Quando o terapeuta sustenta essa qualidade de presença, o campo se autorregula e o contato ganha densidade fenomenológica.</p>
<p data-start="287" data-end="775">Embora seja uma capacidade inata do ser humano, ela foi completamente depauperada no transcorrer dos anos de vida e da cultura fragmentadora, individualista, de escuta rasa e fazer obsessivo, portanto, o terapeuta precisa de treino para que essa awareness &#8220;natural&#8221; desobstruída e verdadeira possa aparecer. Ela não é uma &#8220;produção&#8221; do terapeuta, tampouco uma faculdade de foco e concentração &#8211; é uma qualidade emergente da mente treinada original, e a amplitude que o indivíduo compassivo habita pela entrega, compaixão, interesse e confiança.</p>
<p data-start="777" data-end="1300">Então o valor dessa mente meditante não é apenas atencional. Como diz Mark Epstein, psiquiatra e praticante budista, autor de &#8220;Terapia Zen&#8221;, “a mente que observa é a própria mente que cura” — não por compreender, mas por permitir que a experiência se revele sem resistência. Essa atitude aproxima o terapeuta do que David Brazier, no contexto do Zen e da psicoterapia budista, descreve como “presença compassiva”: um estado em que o profissional abandona o papel de intérprete e assume o de testemunha viva do sofrimento e da verdade do outro.</p>
<p data-start="1302" data-end="1609">Nesse sentido, a meditação oferece ao terapeuta uma epistemologia da não-reação. Ela permite ver o cliente não como “alguém a ser tratado”, mas como expressão do mesmo campo de consciência em que ambos estão inseridos. A escuta deixa de ser uma coleta de informações para se tornar um espaço de revelação. Se algo pode ser &#8220;feito&#8221; a partir daí, e só a partir daí que deve ser feito.</p>
<p data-start="1611" data-end="1955">A mente meditante também protege contra a ansiedade de desempenho terapêutico — essa tentativa sutil de “fazer algo acontecer”.  Que flige tanto terapeutas quanto pacientes, aspirantes por resolução rápida, guiança constante e elucidação pra toda fala e movimento. Quando o terapeuta pratica o não-fazer, não cai na passividade, mas no estado que D. S. Rubin chama de <em data-start="1842" data-end="1861">engaged stillness</em>: uma quietude atenta, dinâmica, capaz de conter e permitir o movimento natural do processo.</p>
<p data-start="1611" data-end="1955">Uma mente assim, imersa em espaço, verdade e firmeza, pode ancorar uma infinidade de processos de cura simplesmente por ser assim. E, como já foi dito, deixar que isso habite o campo em que ambos estão experimentando.</p>
<p data-start="1957" data-end="2277">Integrar meditação e clínica, portanto, não é misturar espiritualidade e psicologia, mas recuperar a inteireza da experiência humana dentro da relação terapêutica. A cura não ocorre porque o terapeuta entende mais, mas porque ambos aprendem a permanecer no mesmo silêncio lúcido de onde toda transformação real emerge.</p>
<p data-start="1957" data-end="2277">//</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">4339</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Pergunte-se isso: sua crise é sua mesmo ou é do mundo?</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/pergunte-se-isso-sua-crise-e-sua-mesmo-ou-e-do-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 19:53:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[crises]]></category>
		<category><![CDATA[perguntas]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Terapia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://hridayaterapia.com/?p=4318</guid>

					<description><![CDATA[Todos nós temos crises. Faz parte da vida humana. Mas há um tipo de crise que é muita rica de ser atravessada, que é a crise em que descobrimos que nosso sofrimento não é realmente genuíno. Porque os problemas pelos quais estamos atravessando, no fundo, não nos tocam de verdade. Eles podem ser, por exemplo, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Todos nós temos crises.<br />
Faz parte da vida humana.</p>
<p>Mas há um tipo de crise que é muita rica de ser atravessada, que é a crise em que descobrimos que nosso sofrimento não é realmente genuíno. Porque os problemas pelos quais estamos atravessando, no fundo, não nos tocam de verdade. Eles podem ser, por exemplo, problemas de nossa tentativa de se adequar ao mundo, tentativa de ganhar um salário maior, de sermos bem falados, de sermos mais bonitos, de ficarmos mais seguros, de sermos considerados X ou Y ou Z. Só que, em realidade, nada disso nos interessa realmente. Não queremos aquele cargo. Não queremos ser constantemente bem falados. Não precisamos ficar tão seguros. Meu rosto está ótimo, realmente não há necessidade de um procedimento assim ou assado.</p>
<p>A sugestão terapêutica então é:</p>
<p>Sempre que apertar o peito, que a crise chegar, que sentir a tensão no corpo,</p>
<p>pergunte-se: <strong>essa crise é realmente minha ou é de outro?</strong> (ou da sociedade)</p>
<p>Então faça uma reflexão profunda, com percepção clara e honestidade íntima.</p>
<p>E talvez essa crise lhe leve a um belo desfecho, mais próximo de si mesmo.</p>
<p>//</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">4318</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A atenção necessária à depressão</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/a-atencao-necessaria-a-depressao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Oct 2025 02:12:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Referências]]></category>
		<category><![CDATA[carljung]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[psicoterapiaonline]]></category>
		<category><![CDATA[Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[terapiaonline]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://hridayaterapia.com/?p=4306</guid>

					<description><![CDATA[&#8220;A depressão é uma dádiva de Deus&#8220;, disse certa vez Marie Lousie Von-Franz (1915-1998), uma psicoterapeuta analítica e uma das maiores especialistas na obra de Carl Jung, criador da Psicologia Analítica. Não é uma frase dogmática nem religiosa, como pode parecer, tampouco leviana ou simplista, mas é um olhar profundo e respeitoso a um transtorno [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;<strong>A depressão é uma dádiva de Deus</strong>&#8220;, disse certa vez <strong>Marie Lousie Von-Franz</strong> (1915-1998), uma psicoterapeuta analítica e uma das maiores especialistas na obra de <strong>Carl Jung</strong>, criador da Psicologia Analítica. Não é uma frase dogmática nem religiosa, como pode parecer, tampouco leviana ou simplista, mas é um olhar profundo e respeitoso a um transtorno mental cada vez mais incidente nos tempos modernos. E o que significa essa afirmação de Von-Franz para o tratamento da depressão e de outros transtornos tão graves quanto ele?</p>
<p>Se for interpretada, como é, apenas como uma <em>falha</em> de um sistema psíquico, a depressão corre o risco de ser totalmente tratada como um defeito de um motor. Porque ela é um sintoma paralisante que afeta o funcionamento do sistema mental e biológico. A perda do ânimo, tristeza, anedonia, perda do apetite, perda da concentração, vícios, etc, são sintomas que afetam todas as áreas da vida de uma pessoa. O tratamento medicamentoso quase sempre é o preferido por essas mesmas pessoas, pela capacidade de reestabelecer, ao menos parcialmente, o possível equilíbrio cerebral e seu funcionamento, de forma mais imediata e imediatista.</p>
<p>O problema é que, embora alivie os sintomas, bloqueia um movimento que pode ser crítico e central que está aparecendo através do sintoma: um movimento salutar de crescimento.</p>
<p>Segundo Von Franz, a depressão pode ser um potencial sintoma de um processo interior profundo onde a estrutura atual do ego deve temporariamente ser quebrada &#8220;para que uma nova identidade mais integrada possa emergir&#8221;.</p>
<p>&#8220;O colapso do ego durante a depressão pode criar espaço para o Self (o centro da psique) se manifestar, levando a um novo sentido de significado e propósito&#8221;.</p>
<p>Veja como, se for tratada cegamente como falha motora, a supressão dos sintomas ou mesmo a tentativa de reestabelecer a &#8220;normalidade&#8221; em termos de bioquímica e funcionamento neurológico pode bloquear esse processo interior profundo. A depressão pode estar iluminando a falência de um sistema que vinha sendo usado até então pelo indivíduo como seu viver.</p>
<p>Von Franz chega a dizer que a depressão, do ponto de vista do indivíduo, &#8220;é a maior benção que alguém pode ter&#8221;. Ela justifica dizendo que &#8220;é a única maneira que esse indivíduo é provocado a olhar para dentro&#8221;.</p>
<p>Pela sua importância e gravidade, a depressão deve ser ouvida e observada profundamente, para que não seja atropelada e suprimida violentamente pelo tratamento medicamentoso. Como em todo processo terapêutica, a escuta ativa e profunda se dá também ao sintoma, e não somente ao indivíduo. Assim não se joga fora aquilo que talvez seja o principal de um tratamento e de uma crise individual.</p>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">
<p>/////</p>
<p>#psicoterapia #depressão #transtornomental #tratamento #psicologia #terapia #terapiaonline #autoconhecimento #marielouisevonfranz #carljung</p>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">4306</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Função do sintoma: o que ele tenta restaurar</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/funcao-do-sintoma-o-que-ele-tenta-restaurar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 11:32:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Anna Freud]]></category>
		<category><![CDATA[ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Carl Jung]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt]]></category>
		<category><![CDATA[Sintomas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://hridayaterapia.com/?p=4320</guid>

					<description><![CDATA[Os sintomas estão cada vez mais saindo do campo do a-ser-suprimido para o campo do a-ser-observado (e aceito e compreendido e liberado). Embora, tanto no dia-a-dia, com nossa cultura de auto-medicação e evitação predominantes ainda exista uma imensa supressão, e também em alguns consultórios de tratamento psicológico, especialmente na Psiquiatria e em algumas abordagens psicoterapêuticas, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os sintomas estão cada vez mais saindo do campo do a-ser-suprimido para o campo do a-ser-observado (e aceito e compreendido e liberado). Embora, tanto no dia-a-dia, com nossa cultura de auto-medicação e evitação predominantes ainda exista uma imensa supressão, e também em alguns consultórios de tratamento psicológico, especialmente na Psiquiatria e em algumas abordagens psicoterapêuticas, ainda há muita orientação supressora. Ela não é de todo má, principalmente nos casos mais graves, de sofrimento agudo, mas não pode ser a única, nem a principal, abordagem.</p>
<p>Na clínica gestáltica, o sintoma não é um inimigo a ser eliminado, mas um sinal vital a ser observado, pois geralmente é uma tentativa do organismo de se autorregular diante de algo que perdeu continuidade. Ele é, antes de tudo, um esforço — ainda que desajeitado — de restauração da totalidade. E sobre os sintomas originais ainda pode haver, como geralmente há, uma camada de mecanismos de defesas tentando impedir o contato com o sofrimento &#8211; com a ansiedade, a angústia, a tristeza. Já se tornou conhecido o exemplo do médico Gabor Maté, especialista em traumas, que menciona a TDA como uma defesa contra o contato com a tristeza e o sofrimento &#8211; é uma recurso de &#8220;desligamento&#8221; do contato com o problema.</p>
<p>Anna Freud enfatizou que os sintomas não são arbitrários, mas expressões significativas de conflitos subjacentes, melhor compreendidos dentro do contexto da vida e do desenvolvimento da pessoa.</p>
<p>Quando alguém chega com ansiedade, insônia ou culpa, o sintoma costuma ser a forma possível de contato com um campo interrompido. A ansiedade, por exemplo, pode estar tentando restabelecer uma excitação criativa bloqueada. A insônia, uma necessidade de vigília diante de algo não elaborado. A culpa, um chamado para reintegrar valores dissociados.</p>
<p>Note, deste ponto de vista, então, como imediatamente remediar a ansiedade, a insònia e a culpa pode ser um grave equívoco. Pode ser a supressão de um último recurso o que um sistema está tentando fazer para reequilibrar sua saúde e informar um problema.</p>
<p>Na Gestalt, o terapeuta não “cura” o sintoma, mas o acompanha até que ele revele a função que cumpre. É o que Perls chamava de “awareness no campo da necessidade”. Em vez de combater a dor, o trabalho é de ampliação da consciência sobre o que ela está tentando ajustar.</p>
<p>O sintoma fala em código: traduz tensões entre o que foi reprimido e o que quer emergir. O olhar junguiano soma-se aqui: todo sintoma é uma imagem simbólica do inconsciente pedindo passagem. Escutá-lo é escutar a vida tentando se reorganizar. É clássica a afirmação de Carl Jung de que <span class="T286Pc" data-sfc-cp="" data-complete="true">&#8220;<strong class="Yjhzub" data-complete="true">A doença é o esforço que a natureza faz para curar o homem.</strong>&#8221; (em &#8220;A Prática da Psicoterapia&#8221;)</span></p>
<p>A cura, então, não é suprimir o sintoma, mas compreender o movimento que ele representa. E permitir que ele complete o ciclo que um dia foi interrompido.</p>
<p>/////</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">4320</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Como curar as feridas da infância? Claudio Naranjo responde.</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/como-curar-as-feridas-da-infancia-claudio-naranjo-responde/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 10:45:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Consultório]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://hridayaterapia.com/?p=3744</guid>

					<description><![CDATA[Uma pequena aula da gênese dos problemas humanos e dos problemas infantis que geram os problemas que conhecemos como humanos (adultos) atuais. Desde os primórdios de nossa relação com a Terra até a relação contemporânea com os pais, na visão do psiquiatra chileno Claudio Naranjo (1932-2019). Como curar as feridas da infância? (vídeo em espanhol) [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma pequena aula da gênese dos problemas humanos e dos problemas infantis que geram os problemas que conhecemos como humanos (adultos) atuais. Desde os primórdios de nossa relação com a Terra até a relação contemporânea com os pais, na visão do psiquiatra chileno Claudio Naranjo (1932-2019). <strong>Como curar as feridas da infância? </strong>(vídeo em espanhol)</p>
<p><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="1080" height="608" src="https://www.youtube.com/embed/i3j8NquR-ig?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=en-US&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3744</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Quando Jung foi gestaltista: &#8220;onde está o medo, lá está sua tarefa&#8221;</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/quando-jung-foi-gestaltista-onde-esta-o-medo-la-esta-sua-tarefa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Aug 2019 01:40:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Carl Jung]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt]]></category>
		<category><![CDATA[Medo]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://hridayaterapia.com/?p=3978</guid>

					<description><![CDATA[O grande psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (187501961) nunca foi um gestaltista, e na verdade a Gestalt Terapia só viria a começar propriamente nos últimos 10 anos de sua vida (Anos 50), e apesar de algumas idéias e posições clínicas de Jung terem influenciado decisivamente a Gestalt, como as polaridades e o conceito de sombra, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O grande psiquiatra suíço <strong>Carl Gustav Jung</strong> (187501961) nunca foi um gestaltista, e na verdade a Gestalt Terapia só viria a começar propriamente nos últimos 10 anos de sua vida (Anos 50), e apesar de algumas idéias e posições clínicas de Jung terem influenciado decisivamente a Gestalt, como as polaridades e o conceito de sombra, sua base estava mais próxima da Psicanálise de Freud do que da Gestalt. Mas o trecho da carta abaixo é apenas uma passagem curiosa — e bastante gestaltista em sua essência, poderíamos dizer — de Carl Jung a um conhecido, <strong>Sr Warner S. McCullen</strong>, datada de <strong>4 de junho de 1956</strong>. Nela, Jung expõe uma postura menos envolvida com teorias e investigações do passado e totalmente comprometida com o <strong>momento presente</strong>, e com as dificuldades que o paciente apresenta para poder vivê-lo aqui e agora. O Sr McCullen era um conhecido que tinha dúvidas sobre seu processo terapêutico e escrevia a Jung perguntando sobre a perda precoce da mãe.  A carta completa, em inglês, está reproduzida <a href="https://carljungdepthpsychologysite.blog/2019/08/26/carl-jung-where-the-fear-there-is-your-task/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">neste site</a>, e pode ser encontrada originalmente no livro &#8220;<strong>Carl Jung Letters Volume II</strong>&#8220;.</p>
<blockquote><p>&#8220;Não tem importância saber qual a possível causa original de tal problema. A busca pela causa pode ser enganosa, já que a existência do medo continua, não porque foi originalmente iniciada num passado remoto, mas porque uma tarefa está acionada em você no momento presente, e, enquanto permanecer não finalizada, todo dia ela produz medo e culpas de novo.</p>
<p>A pergunta é, claro, qual você sente ser sua tarefa? Onde o medo estiver, lá está sua tarefa!</p>
<p>Você deve estudar suas fantasias e sonhos para encontrar o que você deve fazer ou onde você pode começar a fazer alguma coisa. Nossas fantasias estão sempre flutuando sobre o ponto de nossa insuficiente onde um defeito deve ser compensado.&#8221;</p>
<p>— Carl G. Jung, &#8220;Letters Vol. II&#8221;</p></blockquote>
<p>//////////</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3978</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
