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	<title>Citações | Terapia Individual &amp; Meditação com Luiz Fernando Pereira (Hridaya Terapia)</title>
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		<title>O lado brilhante e o espírito do mal (Carl Jung)</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/o-lado-brilhante-e-o-espirito-do-mal-carl-jung/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 11:37:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Referências]]></category>
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					<description><![CDATA[Essa dinâmica capturada por Jung é presente na vida de praticamente todas as pessoas, devido à predominância de uma cultura julgamental e inconsciente. Essa postura condena os traços negativos de todos com culpa, vergonha, punição, retirada de presença, apreciação, amor, e muitas outras coisas. Inconsciente de si e dessa dinâmica, todos nós recebemos e reproduzimos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://i0.wp.com/hridayaterapia.com/notas/wp-content/uploads/2026/03/hridayaterapia_jung_yinyang.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-4375 size-large" src="https://i0.wp.com/hridayaterapia.com/notas/wp-content/uploads/2026/03/hridayaterapia_jung_yinyang.jpg?resize=819%2C1024&#038;ssl=1" alt="" width="819" height="1024" /></a></p>
<p>Essa dinâmica capturada por Jung é presente na vida de praticamente todas as pessoas, devido à predominância de uma cultura julgamental e inconsciente. Essa postura condena os traços negativos de todos com culpa, vergonha, punição, retirada de presença, apreciação, amor, e muitas outras coisas. Inconsciente de si e dessa dinâmica, todos nós recebemos e reproduzimos essa dinâmica. E ela está agressivamente presente em hábitos populares da cultura brasileira como novelas, realities e na polarização. Mas, de forma mais sutil, em praticamente tudo. Os movimentos de conscientização e amadurecimento efetivos são os esforços de autoconhecimento mais sérios e de longo prazo, como terapia e práticas contemplativas com orientação. Sem isso, a perpetuação desse padrão é praticamente inevitável.</p>
<p>#terapia #carljung #psicologiaanalitica #visoes #seminarios #frases #reflexoes #enantiodromia #psicoterapia #terapiaonline</p>
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		<title>Função do sintoma: o que ele tenta restaurar</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/funcao-do-sintoma-o-que-ele-tenta-restaurar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 11:32:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
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		<category><![CDATA[Carl Jung]]></category>
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					<description><![CDATA[Os sintomas estão cada vez mais saindo do campo do a-ser-suprimido para o campo do a-ser-observado (e aceito e compreendido e liberado). Embora, tanto no dia-a-dia, com nossa cultura de auto-medicação e evitação predominantes ainda exista uma imensa supressão, e também em alguns consultórios de tratamento psicológico, especialmente na Psiquiatria e em algumas abordagens psicoterapêuticas, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os sintomas estão cada vez mais saindo do campo do a-ser-suprimido para o campo do a-ser-observado (e aceito e compreendido e liberado). Embora, tanto no dia-a-dia, com nossa cultura de auto-medicação e evitação predominantes ainda exista uma imensa supressão, e também em alguns consultórios de tratamento psicológico, especialmente na Psiquiatria e em algumas abordagens psicoterapêuticas, ainda há muita orientação supressora. Ela não é de todo má, principalmente nos casos mais graves, de sofrimento agudo, mas não pode ser a única, nem a principal, abordagem.</p>
<p>Na clínica gestáltica, o sintoma não é um inimigo a ser eliminado, mas um sinal vital a ser observado, pois geralmente é uma tentativa do organismo de se autorregular diante de algo que perdeu continuidade. Ele é, antes de tudo, um esforço — ainda que desajeitado — de restauração da totalidade. E sobre os sintomas originais ainda pode haver, como geralmente há, uma camada de mecanismos de defesas tentando impedir o contato com o sofrimento &#8211; com a ansiedade, a angústia, a tristeza. Já se tornou conhecido o exemplo do médico Gabor Maté, especialista em traumas, que menciona a TDA como uma defesa contra o contato com a tristeza e o sofrimento &#8211; é uma recurso de &#8220;desligamento&#8221; do contato com o problema.</p>
<p>Anna Freud enfatizou que os sintomas não são arbitrários, mas expressões significativas de conflitos subjacentes, melhor compreendidos dentro do contexto da vida e do desenvolvimento da pessoa.</p>
<p>Quando alguém chega com ansiedade, insônia ou culpa, o sintoma costuma ser a forma possível de contato com um campo interrompido. A ansiedade, por exemplo, pode estar tentando restabelecer uma excitação criativa bloqueada. A insônia, uma necessidade de vigília diante de algo não elaborado. A culpa, um chamado para reintegrar valores dissociados.</p>
<p>Note, deste ponto de vista, então, como imediatamente remediar a ansiedade, a insònia e a culpa pode ser um grave equívoco. Pode ser a supressão de um último recurso o que um sistema está tentando fazer para reequilibrar sua saúde e informar um problema.</p>
<p>Na Gestalt, o terapeuta não “cura” o sintoma, mas o acompanha até que ele revele a função que cumpre. É o que Perls chamava de “awareness no campo da necessidade”. Em vez de combater a dor, o trabalho é de ampliação da consciência sobre o que ela está tentando ajustar.</p>
<p>O sintoma fala em código: traduz tensões entre o que foi reprimido e o que quer emergir. O olhar junguiano soma-se aqui: todo sintoma é uma imagem simbólica do inconsciente pedindo passagem. Escutá-lo é escutar a vida tentando se reorganizar. É clássica a afirmação de Carl Jung de que <span class="T286Pc" data-sfc-cp="" data-complete="true">&#8220;<strong class="Yjhzub" data-complete="true">A doença é o esforço que a natureza faz para curar o homem.</strong>&#8221; (em &#8220;A Prática da Psicoterapia&#8221;)</span></p>
<p>A cura, então, não é suprimir o sintoma, mas compreender o movimento que ele representa. E permitir que ele complete o ciclo que um dia foi interrompido.</p>
<p>/////</p>
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		<title>Espiritualidade e regressão: quando os caminhos se confundem</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/espiritualidade-e-regressao-quando-os-caminhos-se-confundem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Sep 2024 13:56:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Budismo]]></category>
		<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Meditação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Referências]]></category>
		<category><![CDATA[Carl Jung]]></category>
		<category><![CDATA[despertar]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[John Welwood]]></category>
		<category><![CDATA[spiritualbypass]]></category>
		<category><![CDATA[transcendência]]></category>
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					<description><![CDATA[Nem toda experiência “espiritual” é sinal de expansão. Algumas são movimentos de regressão mascarados de transcendência. O terapeuta que trabalha no campo transpessoal precisa discernir entre estados ampliados e estados defensivos. Embora essa habilidade ainda possa estar na sua alvorada, já há suficiente critério e sinais para um discernimento correto &#8211; e necessário, uma vez [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nem toda experiência “espiritual” é sinal de expansão. Algumas são movimentos de regressão mascarados de transcendência. O terapeuta que trabalha no campo transpessoal precisa discernir entre estados ampliados e estados defensivos. Embora essa habilidade ainda possa estar na sua alvorada, já há suficiente critério e sinais para um discernimento correto &#8211; e necessário, uma vez que os casos se multiplicam.</p>
<p>Quando a pessoa “sobe” demais — com discursos de iluminação, amor universal ou negação do ego — pode estar fugindo de dores pessoais não integradas. O self espiritual é, às vezes, o disfarce sofisticado de uma defesa arcaica.</p>
<p>A regressão espiritual costuma vir acompanhada de idealização do mestre, desvalorização do corpo, ou recusa em lidar com aspectos sombrios. Em vez de expansão, há retração: a consciência se retira do mundo concreto para preservar uma identidade “pura” ou &#8220;sublime&#8221;.</p>
<p>A abordagem clínica requer firmeza e cuidado. Não se trata de desqualificar a experiência espiritual, que pode ter um grau genuíno de valor, mas de restaurar sua enraização e compreender porque ela também está servindo de escape ou bloqueio. O verdadeiro despertar amplia a realidade, não a substitui.</p>
<p>A maturidade espiritual passa por integração, não por evasão. A tarefa terapêutica é ajudar o buscador a distinguir o que é abertura real do que é fuga disfarçada de santidade.</p>
<p>///</p>
<p>&#8220;As pessoas farão qualquer coisa, por mais absurda que seja, para evitar enfrentar suas próprias almas. Praticarão ioga indiana e todos os seus exercícios, obedecerão a um regime estrito ou dieta … tudo porque não conseguem lidar consigo mesmas e não têm o menor fé de que algo útil possa sair de suas próprias almas.”<br />
_ CARL G. JUNG (em &#8220;Psychology and Alchemy&#8221;, CW12)</p>
<p>“Quando estamos fazendo bypass espiritual, frequentemente usamos o objetivo de despertar ou libertação para racionalizar aquilo que eu chamo de transcendência prematura: tentar elevar-se acima do lado bruto e bagunçado de nossa humanidade antes de termos completamente enfrentado e feito as pazes com ele.”<br />
_ JOHN WELWOOD (em &#8220;Spiritual Bypassing &amp; Human Relationship&#8221;)</p>
<p>///</p>
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		<item>
		<title>Para realizar o propósito de vida, na visão do yogue Paramahansa Yogananda</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/proposito-de-vida-yoga-paramahansa-yogananda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Nov 2020 23:05:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Ioga]]></category>
		<category><![CDATA[Vocação]]></category>
		<category><![CDATA[ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[proposito de vida]]></category>
		<category><![CDATA[Terapia]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8220;As coisas que você precisa na vida são aquelas que irão lhe ajudar a preecher seu propósito dominante. As coisas que você pode querer mas que não precisa pode lhe levar pra longa do seu propósito. Somente ao fazer que tudo sirva seu propósito principal é que o sucesso é alcançado&#8221;. — PARAMAHANSA YOGANANDA (1893 [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="quote">
<div class="quote-inner">
<blockquote><p>&#8220;As coisas que você precisa na vida são aquelas que irão lhe ajudar a preecher seu propósito dominante. As coisas que você pode querer mas que não precisa pode lhe levar pra longa do seu propósito. Somente ao fazer que tudo sirva seu propósito principal é que o sucesso é alcançado&#8221;.<br />
<span class="author-label">— PARAMAHANSA YOGANANDA</span> (1893 &#8211; 1952)</p></blockquote>
<p>Propósito de vida é um assunto cada vez mais necessário e principal, e um tema cada vez mais recorrente em terapia, justamente pela quantidade de distrações e &#8220;coisas que você pode querer&#8221; que estão sendo oferecidas pela cultura moderna. Sem contato com um propósito dominante e sem conseguir alinhar seu empenho, tempo e energia para ele, perde-se facilmente nas ofertas que a indústria do entretenimento e do supérfluo faz hoje tão veementemente, de tantas e eficientes formas.</p>
<p>O Yoga tem uma visão específica e objetiva sobre o propósito do ser humano nesta vida, mas sinto que no estado atual das coisas, estamos dois passos atrás. E para falarmos disso temos que dar chance do propósito dominante aparecer. Para que isso possa acontecer na vida de cada indivíduo, é necessário e urgente que se faça espaço íntimo e pessoal, espaço de tempo e de espaço, espaço de não fazer e de silenciar, espaço de meditação ou, no mínimo, de silêncio em quietude interna. Sem isso, todo propósito estará asfixiado pela avalanche initerrupta de movimento de cada indivíduo neste mundo imparável.</p>
<p>&#8220;É difícil achar sentido na vida quando se está muito condicionado pelo mundo&#8221;, dizia Claudio Naranjo. O remédio mais imediato neste caso é o descondicionamento. O excesso de movimento, ocupação, entretenimento, distração e aceleração leva qualquer ser humano ao adoecimento e exaustão, mas não é necessário que esperamos a chegada dos estados patológicos.</p>
<p>Depois que esse estado é alcançado, ou ao menos significativamente iniciado e sustentado, o propósito de vida pode surgir dentro de cada um. A visão fica clara, o contato com os próprios sentimentos e inclinações naturais aparece, a inteligência pode entender o que aparece, e enfim pode-se criar o empenho e o sentido que Yogananda cita neste trecho.</p>
<p>//////////</p>
</div>
</div>
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		<title>Desistir de um passado melhor, o conselho de Irvin Yalom</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/desistir-de-um-passado-melhor-o-conselho-de-irvin-yalom/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Oct 2019 16:29:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[momento presente]]></category>
		<category><![CDATA[Tilopa]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8220;Algumas vezes, simplesmente lembro os pacientes de que, mais cedo ou mais tarde, eles terão de desistir da meta de ter um passado melhor.&#8221; – Irvin D. Yalom em &#8220;Os Desafios da Terapia&#8221; Pense nisso na sua própria trajetória. Pense em relação às necessidades que você tem há tempo. Pense nisso em relação aos arrependimentos e possibilidades perdidas. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://i0.wp.com/hridayaterapia.com/notas/wp-content/uploads/2019/10/IrvinYalom_.jpg"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3996" src="https://i0.wp.com/hridayaterapia.com/notas/wp-content/uploads/2019/10/IrvinYalom_.jpg?resize=968%2C681" alt="" width="968" height="681" srcset="http://hridayaterapia.com/notas/wp-content/uploads/2019/10/IrvinYalom_.jpg 968w, http://hridayaterapia.com/notas/wp-content/uploads/2019/10/IrvinYalom_-480x338.jpg 480w" sizes="(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 968px, 100vw" /></a></p>
<blockquote><p>&#8220;Algumas vezes, simplesmente lembro os pacientes de que, mais cedo ou mais tarde, eles terão de desistir da meta de ter um passado melhor.&#8221;<br />
– <strong>Irvin D. Yalom</strong> em &#8220;Os Desafios da Terapia&#8221;</p></blockquote>
<p>Pense nisso na sua própria trajetória.</p>
<p>Pense em relação às necessidades que você tem há tempo.</p>
<p>Pense nisso em relação aos arrependimentos e possibilidades perdidas.</p>
<p>Pense em relação às mágoas e angústias, se você tiver alguma.</p>
<p>Praticamente todas as pessoas que já entraram em terapia tiveram que revisitar seus passados e, de uma forma ou de outra, trabalhar sobre eles. Algumas linhas psicoterapêuticas apenas o pesquisam, outras o aprofundam, outras o analisam e racionalizam, outras o transformam, resignificam, perdoam, reconciliam. E deve haver um tanto mais que abordam o passado de várias outras maneiras.</p>
<p>A frase de Irvin Yalom soa como <strong>resignação </strong>(talvez seja a intenção original), mas há também uma possibilidade imensa de cura e libertação nela, se contemplarmos um pouco do que ela também contém. <em>Desistir de um passado melhor</em> é aceitar e se reconciliar com esse próprio passado, liberando-o profundamente. Liberá-lo não é esquecê-lo, é apenas aceitar que não há como modificá-lo, por pior que tenha sido, e que qualquer pendência ou necessidade não atendida também pode ser liberada, fazendo com que ele deixe de ocupar, assim, o precioso lugar do <strong>presente</strong>.</p>
<p>&#8220;<strong>Não deixe o passado ocupar o lugar do presente</strong>&#8221; é uma das traduções alternativas de um dos famosos Seis Conselhos do sábio indiano <strong>Tilopa</strong> (988-1069). Ele normalmente tem sido traduzido apenas como &#8220;<strong>Não pense</strong>&#8221; ou &#8220;<strong>Solte o passado</strong>&#8220;, ou ainda &#8220;<strong>Não prolongue o passado</strong>&#8220;, que tem mais a ver com a tradução inicial mencionada acima. É impossível para a mente humana apagar o passado (embora nos esqueçamos facilmente de muitas coisas), e provavelmente isso também não seja desejável, mas a soberania do passado sobre o presente sim. Pode e deve se superada e transformada, como objetivo de terapia e da sanidade humana. Se ao passado fosse designado maior poder do que o presente, e ao passado fosse designado todo o poder sobre o presente, sempre sobrescrevendo-o, nunca mais um indivíduo teria algo novo em sua vida, nunca mais teria espaço, e seria para sempre um escravo de uma fita em eterna reprodução.</p>
<p>Liberar o passado é não só aceitá-lo, mas muitas vezes honrá-lo, agradecê-lo e deixar que ele fique onde pertence.</p>
<p>Se há uma função na invocação do passado pelo presente, é <strong>tornar o presente mais presente</strong>. Até que não precise mais do passado nenhum, mesmo que ele exista.</p>
<p>Do ponto-de-vista mais espiritual, que também serve à terapia, o passado não tem existência por si mesmo, é apenas uma faceta da ilusão humana. O passado sempre precisa da faísca de luz no presente para ser vivificado.</p>
<p>Desistir de um passado melhor é também desistir do passado. E poder viver melhor onde há vida naturalmente vivificada, o presente.</p>
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		<title>Quando Jung foi gestaltista: &#8220;onde está o medo, lá está sua tarefa&#8221;</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/quando-jung-foi-gestaltista-onde-esta-o-medo-la-esta-sua-tarefa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Aug 2019 01:40:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Carl Jung]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt]]></category>
		<category><![CDATA[Medo]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[O grande psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (187501961) nunca foi um gestaltista, e na verdade a Gestalt Terapia só viria a começar propriamente nos últimos 10 anos de sua vida (Anos 50), e apesar de algumas idéias e posições clínicas de Jung terem influenciado decisivamente a Gestalt, como as polaridades e o conceito de sombra, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O grande psiquiatra suíço <strong>Carl Gustav Jung</strong> (187501961) nunca foi um gestaltista, e na verdade a Gestalt Terapia só viria a começar propriamente nos últimos 10 anos de sua vida (Anos 50), e apesar de algumas idéias e posições clínicas de Jung terem influenciado decisivamente a Gestalt, como as polaridades e o conceito de sombra, sua base estava mais próxima da Psicanálise de Freud do que da Gestalt. Mas o trecho da carta abaixo é apenas uma passagem curiosa — e bastante gestaltista em sua essência, poderíamos dizer — de Carl Jung a um conhecido, <strong>Sr Warner S. McCullen</strong>, datada de <strong>4 de junho de 1956</strong>. Nela, Jung expõe uma postura menos envolvida com teorias e investigações do passado e totalmente comprometida com o <strong>momento presente</strong>, e com as dificuldades que o paciente apresenta para poder vivê-lo aqui e agora. O Sr McCullen era um conhecido que tinha dúvidas sobre seu processo terapêutico e escrevia a Jung perguntando sobre a perda precoce da mãe.  A carta completa, em inglês, está reproduzida <a href="https://carljungdepthpsychologysite.blog/2019/08/26/carl-jung-where-the-fear-there-is-your-task/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">neste site</a>, e pode ser encontrada originalmente no livro &#8220;<strong>Carl Jung Letters Volume II</strong>&#8220;.</p>
<blockquote><p>&#8220;Não tem importância saber qual a possível causa original de tal problema. A busca pela causa pode ser enganosa, já que a existência do medo continua, não porque foi originalmente iniciada num passado remoto, mas porque uma tarefa está acionada em você no momento presente, e, enquanto permanecer não finalizada, todo dia ela produz medo e culpas de novo.</p>
<p>A pergunta é, claro, qual você sente ser sua tarefa? Onde o medo estiver, lá está sua tarefa!</p>
<p>Você deve estudar suas fantasias e sonhos para encontrar o que você deve fazer ou onde você pode começar a fazer alguma coisa. Nossas fantasias estão sempre flutuando sobre o ponto de nossa insuficiente onde um defeito deve ser compensado.&#8221;</p>
<p>— Carl G. Jung, &#8220;Letters Vol. II&#8221;</p></blockquote>
<p>//////////</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Para que haja amor, que haja verdade</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/para-que-haja-amor-que-haja-verdade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 May 2019 17:39:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[coragem]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[Qual o papel da verdade em nossas vidas? E da sinceridade? Da honestidade? Qual a função dessa verdade, sinceridade e honestidade na vida em um relacionamento conjugal? De família? Entre amigos? Vizinhos? Sociedade? E, principalmente, qual a nossa verdade interior? Se formos honestos com nós mesmos, que verdade encontramos? Há muito tempo a maioria de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Qual o papel da verdade em nossas vidas? E da sinceridade? Da honestidade?</p>
<p>Qual a função dessa verdade, sinceridade e honestidade na vida em um relacionamento conjugal? De família? Entre amigos? Vizinhos? Sociedade?</p>
<p>E, principalmente, qual a nossa verdade interior? Se formos honestos com nós mesmos, que verdade encontramos?</p>
<p>Há muito tempo a maioria de nós não vive vidas reais, vidas de verdade. Vivemos vidas condicionadas, limitadas de várias maneiras, desorientadas por desejos como o de querer ser tal ou tal pessoa, ou de querer experimentar um tipo de situação específica &#8211; de prazer, sucesso, segurança, isolamento.</p>
<p>Assim, o Amor não acontece, pois o Amor precisa de verdade, de liberdade, de coragem. Esse belo poema-manifesto pela verdade abaixo, da terapeuta Paula Jácome, é uma dedicação ao Amor.</p>
<p>//////////</p>
<h3><a href="https://padecendo.com.br/verdade-pra-que-haja-amor/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>Verdade, pra que haja amor</strong></a></h3>
<p>Por <strong>Paula Jácome</strong></p>
<p>Se você não fala pra proteger algo, aquilo que está protegendo, não é verdade.<br />
Se não conta o que gosta, pra proteger o casamento, se não fala pro amigo, pra proteger a amizade.<br />
Se, não diz que o tio passou a mão na sua bunda, pra manter a família unida Verdade.<br />
O que está tentando manter é a ilusão de um relacionamento.<br />
A ilusão de uma amizade.<br />
A ilusão de uma família.<br />
Que, para ter uma chance de existir de verdade, precisa de verdade.<br />
Pra ter uma chance de amor, precisa da verdade, de verdade.<br />
Vivemos em tantas ilusões, sustentamos tantas mentiras, que nem sabemos mais o que é real.<br />
Temos tanto, mas tanto medo de não sermos aceitos, que aceitamos, escondemos, abusos, violências, que esquecemos o que somos e acreditamos.<br />
E, assim, acabamos cúmplices da própria violência, da mentira.<br />
Homossexuais que não contam às famílias sobre seus amores.<br />
Familiares que vêem suas crianças sofrerem abusos físicos, mentais, sexuais até.<br />
Vizinhos que se assustam com a violência doméstica e não falam nada.<br />
Amigos que escutam calados fofocas sobre amigos e não se posicionam.<br />
Filhos que vêem irmãos não serem convidados pras festas, pois são filhos de outro pai, ou mãe.<br />
Homens traídos, mulheres submetidas, vítimas de relações abusivas.<br />
Todos cúmplices calados.<br />
Pra que haja amor, pra sairmos das ilusões, eu desejo verdade.<br />
Com todas as suas consequências, com toda sua desconstrução.</p>
<p>Pra que haja amor, verdade.</p>
<p>//////////</p>
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		<title>Quando Garcia Marquez se deu conta</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/quando-garcia-marquez-se-deu-conta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Feb 2018 02:01:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Dar-se conta, esse fenômeno-chave de toda terapia (principalmente da Gestalt Terapia) e de todo trabalho de auto-conhecimento, pode ter infinitas dimensões e profundidades. Nesse interessante trecho abaixo, o famoso autor colombiano Gabriel García Marquez (1927-2014) escreve a respeito de uma passagem de auto-conscientização em sua vida, um &#8220;dar-se conta&#8221; de como vivia e de como manipulava [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Dar-se conta</strong>, esse fenômeno-chave de toda terapia (principalmente da <strong>Gestalt Terapia</strong>) e de todo trabalho de auto-conhecimento, pode ter infinitas dimensões e profundidades. Nesse interessante trecho abaixo, o famoso autor colombiano <strong>Gabriel García Marquez</strong> (1927-2014) escreve a respeito de uma passagem de auto-conscientização em sua vida, um &#8220;dar-se conta&#8221; de como vivia e de como manipulava e distorcia seu ser original, e sua descoberta e &#8220;despertar&#8221; dessa situação — a exemplo do que acontece algumas vezes durante o processo terapêutico. Às vezes carregado de decepção e frustração, tristeza, peso, outras vezes surpresa, alívio e leveza, é sempre um momento de <strong>liberdade</strong>.</p>
<p>A pergunta que fica é: e se não fizermos, em nós mesmos, as descobertas que Garcia Marquez fez consigo? Continuaremos a viver no esforço das falsidades, nas manipulações e máscaras, na tensão inconsciente do não-ser?</p>
<p>Eis o trecho, para inspiração:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio.&#8221;<br />
— <strong>Gabriel Garcia Marquez</strong>, em &#8220;Memórias de Minhas Putas Tristes&#8221;</p>
<p>//////////</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sede de amor e (in)capacidade de amar: como perdemos a vida real?</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/sede-de-amor-incapacidade-de-amar-claudio-naranjo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Dec 2017 15:22:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt Terapia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Vocação]]></category>
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					<description><![CDATA[O médico, terapeuta e fundador da Escola SAT, o chileno Claudio Naranjo, falou recentemente na Itália (novembro de 2017( sobre a formação do carácter como neurose, uma visão sintética e abrangente do processo infantil que transforma o que conhecemos genericamente como &#8220;características&#8221; de uma pessoa, ou &#8220;personalidade&#8221;, e que é originalmente uma defesa contra o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O médico, terapeuta e fundador da Escola SAT, o chileno Claudio Naranjo, falou recentemente na Itália (novembro de 2017( sobre a formação do <strong>carácter</strong> como <strong>neurose</strong>, uma visão sintética e abrangente do processo infantil que transforma o que conhecemos genericamente como &#8220;características&#8221; de uma pessoa, ou &#8220;personalidade&#8221;, e que é originalmente uma defesa contra o ambiente e que evolui a uma auto-prisão, que priva o ser humano da sua vida real. Nesse trecho abaixo ele comenta também nossa sede de amor e nossa incapacidade de amar, e mesmo de ser livres, devido a essa auto-prisão inconsciente, que só será aberta pelo conhecimento que buscamos a respeito de nós mesmos.</p>
<p>Eis o trecho:</p>
<p>&#8220;A necessidade da criança é defender-se do ambiente. Todos, como crianças, somos a semente de uma planta que exige uma boa terra, água, sol. Todos nós temos necessidades naturais, mas estas necessidades naturais, são frustrados por uma sociedade doente. Você exige amor, mas tem amor essas crianças que nascem em um mundo onde a mãe está muito ocupada ou onde o pai é violento e não permite à mãe sentir-se bem na relação com o filho e com ela mesma?</p>
<p>Por conseguinte, a problemática universal das crianças é quase invisível para nós, porque esquecemos a dor da infância e estamos habituados à &#8220;doença&#8221; que nos rodeia. A criança que tem uma mãe invasiva, defende-se retirando-se; Uma criança que tem um pai violento, defende-se com um desprezo pela autoridade; uma criança que tem pais demasiado em conflito um com o outro, defende-se a tentar tornar-se uma pessoa conciliadora, como uma ponte: todos nós temos uma reação mecânica aos problemas Mecânicos à nossa volta.</p>
<p>O termo deriva da palavra grega <em>kharaktḗr</em> que significa pegada, é como algo fixado em nós. A vida, porém, não é fixa, mas está sempre em movimento, é um líquido. O carácter, pelo contrário, é uma forma de ser condicionado. Transformação significa libertar-se do condicionamento infantil (que formou o caráter), para ser nós mesmos, para ouvir interior o que quer a parte essencial de nós e criar uma vida independente de reações obsoletas.<br />
Não temos o sentido da vida, porque para ter o sentido da vida, você exige viver e nós não temos uma vida real, mas temos uma vida automática, somos mascarados como fantoches e é uma maneira de ser que vem de nossos pais e de outra vez mais longe, através de gerações. São formas de não ser nós mesmos. Se estamos numa jaula, não podemos descobrir o sentido da vida. Para sair da jaula, temos de perceber que estamos numa jaula, mas muitas pessoas não sabem e repetem os mesmos mecanismos condicionados.</p>
<p>O autoconhecimento é fundamental mas o conhecimento de nós mesmos não faz parte da educação. Sem conhecimento de nós mesmos, porém, você não pode recuperar a capacidade de amar e não sabemos que somos incapazes de amar. Uma pessoa é triste se não ama ela mesma e não ama ninguém apesar de dizer todos os dias eu te amo. Dizer te amo é uma mentira que um diz a si mesmo: &#8220;Eu te amo tanto&#8221; quer dizer &#8220;eu queria tanto que você me amasse&#8221;. Temos uma sede de amor muito grande, mas a sede de amor se transforma em capacidade de amar só através de um caminho. É um caminho doloroso porque o crescimento passa para o conhecimento de si mesmo, que é um pouco como uma descida para o inferno.&#8221;</p>
<p>CLAUDIO NARANJO, Itália, 2017.</p>
<p>Via <a href="https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10208593374906772&amp;set=a.1628543128403.74823.1681331251&amp;type=3&amp;permPage=1" target="_blank" rel="noopener">Pietro Bonanno</a>.</p>
<p>//////////</p>
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		<title>Aprendendo a lidar com a realidade, de acordo com Carl Jung</title>
		<link>https://hridayaterapia.com/projecao-realidade-inconsciente-natureza-da-psique-carl-jung/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz F Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Nov 2017 11:14:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Carl Jung]]></category>
		<category><![CDATA[projeção]]></category>
		<category><![CDATA[Terapia]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma das orientações básicas de um trabalho de terapia é permitir à pessoa aprender a lidar com a realidade. Mas como saber como lidar com a realidade se não sabemos o que ela é exatamente? Isso pode parecer absurdo, afinal sabemos o que é a realidade, ela está dada, é óbvia: é isso tudo que me [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das orientações básicas de um trabalho de terapia é permitir à pessoa aprender a <strong>lidar com a realidade.</strong> Mas como saber como lidar com a realidade se não sabemos <strong>o que ela é</strong> exatamente? Isso pode parecer absurdo, afinal sabemos o que é a realidade, ela está dada, é óbvia: é isso tudo que me circunda, a casa, as pessoas, o mundo. Mas essa é uma premissa profundamente <strong>equivocada</strong>, pois apesar da realidade estar realmente existente e nos circundar de alguma maneira, nossa capacidade de vê-la, por padrão, está completamente tomada e distorcida pelo inconsciente, segundo as observações do psicólogo suíço <strong>Carl G. Jung</strong>.</p>
<p>Mesmo para quem admite uma pequena possibilidade dessa distorção ser verdadeira, pode ser difícil crer que a realidade está de fato completamente intoxicada pelo nosso inconsciente, e que dela vemos, se vemos, uma pequena e superficial dimensão.</p>
<p>Assim, pensamos que Pedro é Pedro, mas não isso passa de uma idéia que temos de Pedro. Uma idéia que tem alguma relação com quem Pedro é, mas que é mais fundamentalmente uma distorção do que ele é. Uma <strong>projecão</strong> inconsciente (o pleonasmo aqui é proposital, para ressaltar a natureza do fenômeno). É uma suposição baseada no que sabemos ou lembramos de Pedro, mas a própria ciência e/ou memória que temos de Pedro já nasceu distorcida, pois vemos e lembramos o que está associado primariamente com nossas tendências inconscientes.</p>
<blockquote><p>&#8220;O que <em>Paulo</em> <em>diz</em> sobre Pedro nos diz mais sobre Paulo do que sobre Pedro.”<br />
— <strong>Baruch Spinoza</strong> (em &#8220;Psychoanalisis and Religion&#8221;, Erich Fromm, pg 56)</p></blockquote>
<p>Assim, de acordo com Jung, enquanto não vemos o que nosso inconsciente projeta (todo o tempo em tudo e em todos), não saberemos o que é a realidade. E sem saber o que ela é, como poderemos saber como lidar com ela?</p>
<p>Eis um trecho riquíssimo sobre esse tema, do livro &#8220;<strong>A Natureza da Psique</strong>&#8220;, de <strong>Carl Jung</strong>, sobre o que vemos, o que projetamos, o que é realidade e como podemos vir a fazer contato verdadeiro com ela:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) &#8220;Da mesma forma que nos inclinamos a supor que o mundo é tal como o vemos, com igual ingenuidade supomos que os homens são tais como os figuramos. Infelizmente ainda não existe, aqui, uma Física que nos mostre a discrepância entre a percepção e a realidade. Embora seja muito maior a possibilidade de erro grosseiro neste caso, do que nas percepções sensoriais, nem por isto deixamos de projetar nossa própria psicologia nos outros, com toda a tranqüilidade. Cada um de nós cria, assim, um conjunto de relações mais ou menos imaginárias, baseadas essencialmente em projeções deste gênero.</p>
<p>Nos neuróticos são até mesmo freqüentes os casos em que projeções fantásticas constituem as únicas vias possíveis de relações humanas. Um indivíduo que eu percebo principalmente graças à minha projeção é imago [imagem] ou um suporte de imago ou de símbolo. Todos os conteúdos de nosso inconsciente são constantemente projetados em nosso meio ambiente, e só na medida em que reconhecemos certas peculiaridades de nossos objetos como projeções, como imagines [imagens], é que conseguimos diferenciá-los dos atributos reais desses objetos. Mas se não estamos conscientes do caráter projetivo da qualidade do objeto, não temos outra saída senão acreditar, piamente, que esta qualidade pertence realmente ao objeto. Todas as nossas relações humanas afundam em semelhantes projeções e quem não tivesse uma idéia clara deste fato, em sua esfera pessoal, bastar-lhe-ia atentar aparar a psicologia da imprensa dos países beligerantes. Cum grano salis vêem-se sempre as próprias faltas inconfessadas no adversário. Todas as polêmicas pessoais disso nos fornecem exemplos eloqüentes. Quem não possuir um raro grau de autocontrole não pairará acima de suas projeções mas, na maioria das vezes, sucumbirá a elas, pois o estado de espírito normal pressupõe a existência de semelhantes projeções. A projeção dos conteúdos inconscientes é fato natural, normal. É isto o que cria nos indivíduos mais ou menos primitivos aquela relação característica com o objeto, que Lévy-Bruhl designou, com acuidade, pelo nome de “identidade mística” ou “participação mística”169. Assim, todo contemporâneo normal que não possua um caráter reflexivo acima da média, está ligado ao meio ambiente por todo um sistema de projeções inconscientes. O caráter compulsivo de tais relações (ou seja, precisamente o seu aspecto “mágico” ou “místico-imperativo”) permanece inconsciente para ele, “enquanto tudo caminhar bem”. Mas logo que se manifestam distúrbios paranóides, todas estas vinculações inconscientes de caráter projetivo aparecem sob a forma de outras tantas vinculações compulsivas, reforçadas, em geral’ por materiais inconscientes que, notemo-lo, constituíam, já durante o estado normal, o conteúdo dessas projeções. Por isto, enquanto o interesse vital, a libido, puder utilizar estas projeções como pontes agradáveis e úteis, ligando o sujeito com o mundo, tais projeções constituem facilitações positivas para a vida. Mas logo que a libido procura seguir outro caminho e, por isto, começa a regredir através das pontes projetivas de outrora, as projeções atuais atuam então com os maiores obstáculos neste caminho, opondo-se, com eficácia, a toda verdadeira libertação dos antigos objetos. Surge então um fenômeno característico: o indivíduo se esforça por desvalorizar e rebaixar, o máximo possível, os objetos antes estimados, a fim de poder libertar deles a sua libido. Como, porém a precedente identidade repousa sobre a projeção de conteúdos subjetivos, uma libertação plena e definitiva só pode realizar-se, se a imago refletida no objeto for restituída, juntamente com sua significação, ao sujeito. Produz-se esta restituição, quando o sujeito toma consciência do conteúdo projetado, isto é, quando reconhece o “valor simbólico” do objeto em questão. [508] É certo que essas projeções são bastante freqüentes e tão certo quanto o desconhecimento de sua natureza. Sendo assim, não devemos nos admirar de que as pessoas desprovidas de senso crítico admitam, a priori, e como evidente à primeira vista, que, quando se sonha com o Senhor X, esta imagem onírica denominada “Senhor X” é idêntica ao Senhor X da realidade. Este preconceito está inteiramente de acordo com a ausência geral de espírito crítico que não vê diferença entre o objeto em si e a idéia que se tem dele. Considerada sob o ponto de vista crítico, a imagem onírica — ninguém o pode negar — guarda apenas uma relação exterior com o objeto. Na realidade, porém esta imagem é um complexo de fatores psíquicos que se formou espontaneamente — embora sob o influxo de certos estímulos exteriores — e, por conseqüência, se compõe, essencialmente, de fatores subjetivos, característicos do próprio indivíduo e que muitas vezes não têm absolutamente nada a ver com o objeto real. Compreendemos sempre os outros como a nós mesmos, ou como procuramos compreender-nos. O que não compreendemos em nós próprios, também não o compreendemos nos outros. Assim, por uma série de motivos, a imagem que temos dos outros é, em geral, quase inteiramente subjetiva. (&#8230;)&#8221;<br />
— Carl Jung, em &#8220;A Natureza da Psique&#8221;</p></blockquote>
<p>//////////</p>
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